O ateliê como coração da aprendizagem.
Cada proposta pedagógica traz consigo formas próprias de explorar os espaços e de organizar as atividades. A arquitetura pode apoiar essas dinâmicas tornando o ambiente escolar um parceiro no processo educativo.
Foi com esse olhar que o Ateliê Urbano Arquitetura para a Educação desenvolveu o projeto de reforma parcial da Escola Gaivota, localizada no bairro de Moema, em São Paulo. A escola atende alunos do berçário e da educação infantil e tem sua proposta pedagógica inspirada na abordagem de Reggio Emilia.
Dentro dessa pedagogia, o espaço tem um papel essencial estimulando a curiosidade, incentivando a investigação e ampliando as possibilidades de experimentação das crianças.
Um dos aspectos mais interessantes do projeto foi a decisão de não fechar o ambiente com paredes. Em vez disso, optamos por delimitar os espaços utilizando estantes desenhadas e executadas sob medida. Essas estantes cumprem um papel fundamental na organização do ateliê: elas funcionam como áreas de armazenamento de materiais e como superfícies de exposição das produções das crianças.
Essa escolha reforça um princípio importante da abordagem pedagógica adotada pela escola: valorizar os processos criativos e tornar visível o percurso de aprendizagem dos alunos. Quando os trabalhos das crianças ocupam lugar de destaque no ambiente, o espaço passa a contar histórias sobre aquilo que está sendo pesquisado e explorado ali. A produção dos alunos deixa de ficar guardada e passa a fazer parte do próprio ambiente de aprendizagem.
Criamos uma pia coletiva. O acesso fácil à água é essencial para apoiar atividades com diferentes materiais, como tintas, argilas e outros recursos utilizados no cotidiano do ateliê.
Um móvel dedicado à secagem de trabalhos e uma estante destinada às peças que ainda estão em processo de produção completam o layout do espaço.
Trabalhamos com acabamentos amadeirados e uma paleta de cores mais neutra, que contribui para criar um fundo visual equilibrado e que não compete com as produções expostas. Quando o ambiente possui uma base mais neutra e natural, os desenhos, pinturas, esculturas e experimentações das crianças passam a ganhar ainda mais destaque, transformando o ateliê em uma espécie de galeria viva que se modifica constantemente à medida que novos projetos surgem.
Ao cuidar dos espaços com atenção e intenção pedagógica, a arquitetura passa a colaborar diretamente com os processos de aprendizagem e melhora muito a rotina das crianças dentro da escola.
“Quando os trabalhos das crianças ocupam lugar de destaque no ambiente, o espaço passa a contar histórias sobre aquilo que está sendo pesquisado e explorado ali.”
ATELIÊ URBANO — ARQUITETURA PARA EDUCAÇÃO